Nov
27
2008

Internet nos EUA e Internet em Portugal

living happy ever after

Há umas semanas atrás enquanto lia o techcrunch reparei numa noticia que me deixou a pensar bastante. Em tempos de crise é muito difícil conseguir investimentos num projecto ou mesmo, que o digam os responsáveis da Mobuzz, um canal espanhol de televisão na internet sobre tecnologia que está a lutar para sobreviver, já agora há disto em Portugal?

No entanto nos EUA uma caloira universitária de apenas 18 anos acabou de lançar uma start-up com 2 amigos e $500 dólares. Esta rapariga de seu nome Jessica Mah trabalha para a PBWiki.com como web developer, como já referi é estudante universitária e ainda tem tempo e financiamento para lançar uma start-up.

A sua start-up trata-se de um projecto onde estudantes podem procurar trabalho de qualidade. Em vez de irem trabalhar para o McDonnalds para pagar as contas quem sabe não conseguem um estágio numa empresa de grande nome e constroem um portfólio decente e ainda quem sabe ganham dinheiro com isso.

O projecto chama-se InternshipIN e é basicamente um site de emprego para estudantes universitários ou alguém que procure estágios em determinadas áreas.

O que reparo é que enquanto em Portugal muitos bloggers / webmasters compram software para criar sites de classificados e depois tentam ganhar dinheiro com AdSense enquanto a Jessica decidiu que durante 2 meses o site é grátis para todos e a partir de Dezembro começa a cobrar ás empresas para colocarem lá os seus anúncios. Ela neste momento já tem credibilidade e experiência suficiente para saber como agir.
Em Portugal aos 18 anos é rara a pessoa que já tem experiência de trabalho na área que quer seguir carreira.

Sinceramente a única pessoa com quem falo e reconheço ter um projecto ambicioso á já alguns anos e que ainda é estudante é o Cenourinha que sinceramente vejo a ter de mudar estratégias quando estiver a trabalhar a full-time, tiver um filho ou preso por andar literalmente a abanar a sua cobra em frente da webcam.

O Paulo Querido lançou uma Rede de Blogs que acredito que possa ser considerado o primeiro trabalho como blogger lançado em Portugal mas que no entanto acredito faltar o dinamismo que existem nestas redes a nível internacional. Talvez por as pessoas pensarem que não vão ganhar grande coisa com a sua participação neste projecto…

negocio baixo custoOlhando para as coisas como elas são em tempos de crise em Portugal os bloggers procuram projectos de baixo custo, pouca manutenção, pouco esforço e tentam ganhar dinheiro com eles através de publicidade, programas de afiliados ou cobram uma miséria por um serviço prestado e quando cobram há sempre uma alma forreta a dizer que é demasiado caro.

Nos EUA para lançar o mesmo projecto é traçada uma estratégia, procuram-se colaboradores / accionistas, cria-se o projecto a pensar no futuro e vendem os serviços a quem tem dinheiro para investir neles.

negocio acessivelIsto sem contar que a Jessica Mah trabalhar numa empresa cujo produto é baseado num software de Internet para gestão empresarial.
Em Portugal ainda ninguém pensou sequer em criar algo idêntico e colocar á venda ao publico, nos EUA só esta empresa conta com mais de 30,000 empresas que já investiram no projecto.

Para resumir, em Portugal não existe visão empreendedora. Ponto final, paragrafo.

Está na altura de mudar mentalidades e começar a investir no que será o teu ganha pão no futuro.
Não estou a falar de um blog, estou a falar de criares um projecto a sério que possa fornecer um serviço útil a empresas e que embora seja necessário de momento não exista ainda no mercado português. Não é difícil, não tens de inventar a roda, só tens de olhar para o mercado internacional.

Pegando no exemplo da Jessica que criou um job board para estudantes universitários onde não vais encontrar ofertas rascas como telemarketing ou mcdonnalds.
Em Portugal tens o Carga de Trabalhos onde de certeza não vês anúncios para telemarketing ou “procuram-se comerciais para projecto ambicioso”.

Já no único site vocacionado para universitários onde podes procurar trabalho encontras propostas de tudo e mais alguma coisa onde regra geral as ofertas é para o “mais alguma coisa”.

Eu lancei no final de Outubro um mercado especifico para bloggers onde de certeza em 2009 vai-se tornar uma referência. Vou fazer para que isso aconteça.

Em Portugal não há um TechCrunch, não há um Engadget, não há um BoingBoing, não há um CNET ou um DownloadSquad e não é porque não existe potencial ou mercado. O StarBucks também veio investir num mercado difícil onde inclusive o seu competidor mais directo cá, o Café di Roma, fechou algumas lojas.

As oportunidades existem mas as pessoas ficam tão fechadas na sua vida e “deixa-me estar quieto que não quero ter chatices” que sinceramente fico triste em olhar e ver que Portugal sendo a porta da Europa para o universo americano não sabe aproveitar o potencial que tem. A internet permite criar negócios, empresas, etc… a custos relativamente baixos e ganhar bastante dinheiro com eles, agora falta é a força de vontade e visão para os fazer.

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Front-end developer & blogger

12 Comments + Add Comment

  • De facto é uma temática que me é “familiar”…

    Também eu, acompanho de perto o lado mais económico da Web 2.0.

    Mais do que mentalidades, tudo tinha que mudar em termos de sistema de educação. Onde raio é possível ver “miúdos” de 18 anos a pensar em criar uma Startup?

    Em Portugal, com 18 anos, pensa-se em curtir a vida, se possível à custa dos pais…lá pelo meio, há uma faculdade…que será feita que tiver que ser feita…curte-se o ambiente universitário e no fim, já com a licenciatura, acham que têm entrada automática, pela porta grande numa empresa.

    Obviamente que o parágrafo é uma generalização, cheia de preconceitos…mas globalmente, e esta a mentalidade que prevalece, porque a questão também é cultural. Nos EUA, desde cedo que se cultiva o espírito empreendedor…criar a própria empresa…se falhar…é tentar outra vez.

    Em Portugal, não existe isso…e a solução até podia passar pelo sistema de educação…mas como vês…nem uma merda de um sistema de avaliação conseguem implementar…por isso…para mim, é um “caso perdido”…temos que ficar com as excepções…

    Por outro lado, deixo também uma crítica para a outra vertente das Startups…o Capital de Risco…qual é a dimensão desse fenómeno em Portugal?

    Para finalizar…foi um excelente artigo e devia ser, eventualmente um ponto de partida para uma discussão mais séria sobre os Empreendedores e o Capital de Risco em Portugal.

  • Existe pelo menos um empreendador que esqueceu de referir e que tem vários projectos a funcionar, nomeadamente o Carlos Andrade(http://blog.karlus.net/). Estes projectos já funcionam à largos anos, por exemplo, o itjobs.com.pt, o destakes.com e o Lusocast.com.

  • Não concordo que em Portugal não haja empreendedores ou startups…obviamente a escala é outra e nao se compara com EUA.

    relativamente a: Em Portugal não há um TechCrunch, não há um Engadget, não há um BoingBoing, não há um CNET ou um DownloadSquad…é certo que não existem em Portugal mas também não existem em mais nenhum país…em Espanha também não tens.

  • As questões que levantas são optimas.
    Vou tentar responder-te nos proximos post.

  • Lembrei-me mais alguns sites internacionais feitos cá dentro, neste caso de jogos browser:

    http://www.astroempires.com e o http://www.sysemp.com. Penso que o primeiro tem perto dos 50000 jogadores e o segundo(ainda está em português mas está para breve o lançamento em inglês) tem perto de 1500 jogadores.

    Mais info sobre o Astro Empires numa reportagem da Correio da Manhã:http://smallr.net/AE

    Penso que existem muitos empreendedores, anónimos, que com a Internet tem sucesso, sem necessidade desse mesmo sucesso ser no reconhecido próprio país. Veja o caso dos site sociais, como por exemplo o hi5, quase todos os “internautas” nacionais o conhecem, mas nos EUA nem deve ter mais que 1% do mercado, e como este há muitos exemplos.

  • Não digo que não há empreendedores, afinal até temos alguém que vende terrenos na Lua contudo os projectos quando surgem é muito por acaso.
    Não há a vontade de querer criar algo novo é mais “apetece-me fazer algo” gasta-se alguns fins de semana se tanto e pouco tempo depois nasce um projecto.

    Quem diz Espanha diz Brasil que tem sites de tudo e mais alguma coisa e de grande qualidade. A nível de programação, Photoshop, web design, etc tem comunidades muito boas e já com alguns anos de vida.
    Onde é que cá temos um MeioBit ou um BRPoint ou wmonline, flashmasters ou mesmo um blogblogs?

    O Hi5 tem a maior comunidade em Portugal mas é um fenómeno mundial como é o MySpace e o Bebo.

  • Olá Mário
    Pois às vezes as pessoas não veêm as oportunidades e quem as vê não tem conhecimentos suficientes para as por em prática.

    Eu até deixo aqui uma pergunta, será que existem alguém com medo de arriscar (capital de risco) 500€? Até eu sózinho era capaz de financiar um projecto desses.

    Ao contrário do que se pensa, Portugal é um poço de oportunidades, basta ver os sites de referência que por cá temos!
    Cumprimentos

  • Em portugal precisas de 5000 euros para abrir uma LDA e estás sempre com medo de perder esse dinheiro todo (coisa que, tanto quanto sei, não acontece tão facilmente nos States já que o Estado tenta evitar que abras falência)!

    Além do mais, em Portugal é preciso ter dinheiro para abrir Falência. Por isso nunca abri empresa em Portugal…

    Por outro lado, posso partilhar uma história de sucesso convosco. A empresa onde trabalho começou há 8 anos atrás (se não estou em erro).

    O actual CTO desenvolveu um software e viu possibilidade de ganhar dinheiro com ele. O irmão viu o potencial e juntou-se a ele também.

    Compraram uma caravana, estacionaram-na no jardim dos pais e abriram empresa.

    Mesmo estando numa caravana, contrataram uma pessoa.

    O negócio continuou a prosperar e mudaram-se para uma cave de uma casa com ratos…

    Após isto mudaram-se para um laboratório de open source de uma empresa grande e neste momento ocupam o terceiro piso inteiro com cerca de 100 funcionários (se não estou em erro) e escritórios em Inglaterra e nos States.

    Esta é a realidade dos Estados Unidos.

    Hugz,
    Luís

  • Eu pelo que tenho visto as «empresas na hora» surgem sem qualquer planeamento a longo prazo. «Vamos abrir uma empresa e fazer dinheiro» e o que oiço mais depois da empresa estar criada é «o importante agora é sobreviver o primeiro ano» no final do primeiro ano já dizem que é «sobreviver os primeiros 3 anos» e quando pergunto depois disso o que há a resposta foi sempre «depois logo se vê, nem sabemos se a empresa vai existir daqui a 3 anos», a pensar assim é complicado.

    Com 500 euros em Portugal e vontade consegue-se lançar uma um projecto, uma startup, depois é procurar patrocínio e desenvolver para outros níveis.

  • Mas Mario se for orientado para o público português tem que ser algo mesmo mainstream e que atinja o maior tipo de pessoas (tipo Hi5).

    Agora projectos como o Techcrunch em português qual era a audiência? A mesma que p Prt.sc e o PlanetGeek não?

    Ou estavas a falar em fazer projectos em Portugal para o Mundo?

    É que projectos para o público português… de todos os exemplos que deste, acho que não têm simplesmente público que justifique para ter pessoas a tempo inteiro à frente desses projectos.

  • Não coloco restrição seja para o mundo, português, publico de língua portuguesa ou até mesmo orientado para o Japão ou índia ou Marrocos.

    Ao criar um projecto em português posso muito bem chegar a todas as comunidades onde se fale língua portuguesa, até mesmo uma comunidade de 1000 portugueses que vivem em França por exemplo.

    Reconheço que existe uma barreira linguística ao criar projectos em português, mas também existe um mercado de milhões de pessoas que falam língua portuguesa.

    Afinal o Techcrunch não é um projecto dos EUA ou da UK ou Europeu ou Asiático tem uma presença global e acredito que ao criarem o projecto não definiram «vamo-nos focar no nosso país».

  • Comentei porque até vou começar uma start up ligada exclusivamente a projectos na internet e cujo capital inicial e condições não são as ideais.

    Mas, vou tentar e dar o meu melhor e acredito que dentro de algum tempo poderei dar um pequenissimo contributo para o desenvolvimento de projectos online tugas (não, não vou construir nenhum content scrapper ou agregador!)

    Os comentários ao artigo, com o qual concordo diga-se, são reveladores da nossa falta de empreendorismo. Somos cépticos, pouco ambiciosos e arranjamos 1001 desculpas para não agir.

    Além disso, acho que os projectos que existem são poucos e de baixa qualidade.

    Estou contigo Mario, há que dar a volta a este cenário!

    Cumps

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